terça-feira, 13 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amar Congonhas....

Existem coisas que fazem a vida valer à pena. Às vezes somos surpreendidos com novas situações, tão inesperadas que parecem ser desígnios de Deus.
Falo de minha súbita vinda para Congonhas, cidade histórica de Minas Gerais, onde o patrimônio histórico é grandioso, do tamanho de sua história e de seu povo.
Em Congonhas o barroco salta aos nossos olhos, nos extasiando com maravilhas como os “Profetas do Aleijadinho”, pinturas e altares nos interiores das igrejas centenárias.
Tenho o privilégio de viver nesta cidade, onde a calma e a quietude das montanhas, se contrapõem à velocidade frenética da atividade de mineração.
Em Congonhas vivemos em dois mundos. Em alguns momentos estamos encantados com o soar dos sinos chamando os romeiros, como disse certa vez Carlos Drummond de Andrade. Enquanto ao mesmo tempo, almoçamos em restaurantes repletos de estrangeiros que trabalham direta ou indiretamente em nossas minas, no ventre de nossas montanhas, arrancando dali o mineral que construirá navios, pontes e infindáveis itens que serão utilizados pela humanidade.
Congonhas às vezes nos remete para o mundo de Alice, onde, aparecem em nossas vidas o gato, o homem de lata e o coelho. É tão intensa a atmosfera dessa cidade, que nos pegamos perguntando para alguns, que caminho deveríamos seguir....sem sabermos ao certo onde gostaríamos de chegar...
A natureza é belíssima e constante. Nem sempre admiramos como deveríamos. Aí ela nos olha com indulgência, pobres mortais corredores...sempre esbaforidos....sem ao menos olhar para o encantamento absurdo e surdo que a todos nos envolve.
Como um carioca da zona sul veio parar aqui? Pergunta que me fazem e que me faço, sem encontrar uma resposta que me contente. Acho que estava procurando minha paz, uma paz verdadeira, que só encontro aqui.
Estava em busca de amigos verdadeiros (que aqui encontrei), aqueles que passam em minha casa, no domingo, às sete da manhã, me convidando para o futebol. Estava em busca de mulheres sábias, tranqüilas e companheiras. Qualidades que somente se encontram reunidas na mulher mineira.
Em Congonhas encontrei coisas maravilhosas que procurava e que a cidade grande não nos oferece mais: feira da roça, criar galinhas, ir à missa obedecendo à convocação dos sinos, comprar fiado na bodega, tomar banho de rio e sacolejar no forró nas noites de sábado.
Ainda me emociono com a lua cheia de Congonhas derramando seu manto prateado sobre os Profetas e a Basílica do Bom Jesus. Emociono-me com o ranger dos carros de boi, com as vaquejadas, Folia de Reis e o Congado. Amo participar das rodas de viola sertaneja, onde a roça, a boiada e o sertão se evadem de nossas gargantas, rumo ao céu, espalhando-se no ar, emocionando as estrelas.
Congonhas... te amo e te venero.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Diz um velho ditado que a natureza na se defende, mas jamais deixa uma agressão sem resposta.
Estamos assistindo em nosso cotidiano a uma verdadeira débâcle ambiental. Do mega terremoto do Chile à quase desintegração do Haiti, nosso irmão sofrido. Novos Tsunamis e maremotos, rios inundando cidades, furacões e tornados onde antes nunca aconteceram esses fenômenos. Ondas de calor insuportáveis. Geadas inimagináveis... aonde iremos parar!!! O que nos acontecerá!!!
O planeta terra é um lindo diamante azul flutuando na imensidão do cosmo. Bilhões anos de trabalho incessante da natureza, aprimorando a obra de Deus, o milagre da Criação. Então, depois de tanta evolução divina, surge a espécie humana, ainda meio tonta no novo cenário.
Eis então que a espécie humana, uma das mais frágeis da natureza, se arvora em tentar dominar, se infiltrar e desvendar os insondáveis mistérios divinos. Para isso, cria engenhos, máquinas e equipamentos. Viaja para fora do planeta, ousando até dizer não ter visto Deus na imensidão do universo visível.
Nossa atmosfera tão tênue... tão sensível, é bombardeada diariamente por bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, por partículas ácidas e resíduos das queimadas em nossas florestas, verdadeiros patrimônios da biodiversidade.
Nossos mares estão agonizando. O que era motivo de orgulho e de busca da sobrevivência tornou-se depósito de lixo nuclear, de despejo de plataformas de petróleo e da pesca industrial predatória. Os oceanos estão morrendo, as baleias cada vez mais raras, os golfinhos sendo massacrados por pescadores insensíveis, e as praias, contaminadas pelo esgoto urbano e industrial.
Recebemos um presente maravilhoso das mãos de Deus e estamos transformando-o em um horrível local de sobrevivência.
Será que todos esses malefícios ficarão sem respostas em um sistema tão equilibrado como o universo que assim está desde a criação. Pode a raça humana interferir tão negativamente em nosso ecossistema e nada acontecer? Que planeta deixaremos para as futuras gerações????
Minha cidade, o Rio de Janeiro, sofre a terrível calamidade que sobre ele se abateu. Mais de uma centena de mortos e centenas de desabrigados. Uma cidade tão linda e maravilhosa, arrasada pela força da natureza.
Espero que possamos refletir com serenidade sobre a maneira com a qual cuidamos do nosso planeta, gaya, nosso lar, nosso diamante azul, perdido na imensidão universal.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Armando Nogueira - Poeta da Bola

Acho que Deus em sua incomparável sapiência faz a terra parar de girar (só por uns instantes), com o fugaz objetivo de recolher em segurança um daqueles seus, que estava aqui e Ele resolveu chamar de volta. Foi assim que aconteceu com Armando Nogueira, o nosso Marquês de Xapuri. Terra de gente valente, lugar pequeno que sabe fazer gente grande como Glória Perez e Chico Mendes.
Agora a santíssima trindade da crônica esportiva está finalmente reunida: Armando, João Saldanha e Nélson Rodrigues. Por ali, ainda circula carrancudo, o Sandro Moreyra, meio que D’Artagnan. Reivindicando para si o papel de também legítimo e ardoroso botafoguense, como “João sem Medo” e Armando. Cria-se então um movimento separatista, para que a santíssima trindade fosse constituída somente por adoradores da estrela solitária. Mas como bater Nelson... ainda mais com o Glauber do lado dele, naquele falatório danado.
Armando agora certamente está feliz... Imagine poder conversar sem pressa com Garrincha, Zizinho, Heleno de Freitas, Puskas... Altafini... Friedenreich, enquanto o Feola tira sua soneca numa nuvem logo ali.
Chegou lá um pouco cansado. A vida terrena tirou-lhe as forças e agora precisa de descanso. Mas nada como conversar com João, Sandro e Nelson, escandalizados que estão com a não convocação de Neymar do Santos para o escrete canarinho. Assim que chegou já ralhou com Garrincha e um outro, que esconderam suas novas asas atrás de uma cumulus nimbus, de lá ouviu alguém gritando: “Cacildis”!!!! Era o Mussum!!!!
Acho que Deus está fazendo uns ajustes na crônica esportiva. Já que o pessoal só quer saber de blogs, links, sites, web e outras esquisitices, Ele resolveu resgatar os cronistas de verdade, os poetas da pena esportiva. Como escrever!!! De que maneira... Como exaltar Obinas e Dentinhos!!! Sem atentar contra o rígido pudor da estética futebolística e do imponderável e sagrado bailado que a todos extasia!!!!
Vivendo num período de transição, da terra paro céu e vive-e-versa, Armando vivia ora nos ares, ora na terra (planando suavemente como sempre escreveu e viveu) nos seus ultraleves, em seu ultraleve viver. Quando um dia, olharmos para o céu e avistarmos uma estrela brilhante bem sozinha, pode ter certeza que será o Armando, e se prestarmos mais atenção ainda, notaremos Nelson Rodrigues, João Saldanha e Sandro Moreira, formando uma linha imaginária, tentando conter e aconselhar um cometa desgovernado e saltitante, divertindo a todos, chamado Mané Garrincha.